Prólogo
Era uma noite como todas. Mal dava para ver estrela alguma no céu diante da iluminação da cidade mas a Lua continuava ali, visível e encantadora como sempre. Abel estava do lado de fora do prédio de Luan, um conhecido meu que era o anfitrião da festa que estava acontecendo hoje. Ele saiu da festa para poder tomar um pouco de ar fresco, uma vez que o número de fumantes dentro do pequeno apartamento tornava o ar quase insuportável. A ponto de voltar para sua casa, uma voz lhe chama a atenção.
-Linda noite, não? – Era uma garota com quem ele nunca tinha conversado antes, mas já a tinha visto antes na festa
-Sim. É sim. – Abel respondeu com calma. Estava cansado e só pensava em ir para sua casa, para descansar para o dia seguinte.
-Não vai se apresentar? A propósito, eu me chamo Júlia. – O interesse da garota em Abel era notável – Qual seu nome?
-Abel. – Com um gesto de mão, ele demonstrou que estava saindo. Ele estava cansado e amanhã teria que acordar cedo para poder estudar para o vestibular. Estava em seu terceiro ano consecutivo tentando entrar para Medicina e até agora não tinha passado por que de fato não era a carreira que lhe interessava. Abel gostaria de fazer Matemática, mas seu pai lhe disse que não era um curso promissor e, portanto não permitiu que ele entrasse para essa faculdade. Como era ele quem pagava todas as suas contas, não havia muito que discutir. Ele realmente não pretendia sair de casa tão cedo, por isso apenas aceitou a decisão de seu pai.
-Que nome bonito... – Júlia estava de costas, ainda contemplando a noite quando se virou e viu que estava sozinha. Olhou em volta e tudo que viu foi um carro saindo do estacionamento próximo ao prédio.
Não demorou muito a acontecer o evento que mudaria a vida de Abel para sempre. Enquanto dirigia de volta a sua casa, por algum motivo que ele desconhecia, o carro perdeu a direção e bateu. Para o rapaz, tudo aconteceu muito rápido. Num momento ele estava virando para a esquerda e no outro estava com os olhos cerrados, tentando perceber o que tinha ocorrido. Sem conseguir obter a resposta, tentou sair do carro sem sucesso. A porta não abria e tentando de alguma forma sair do veículo que ele viu um ferimento na região do abdômen. Um pedaço de ferro tinha lhe perfurado. Tentou então retirar o celular de seu bolso, mas praguejou ao lembrar que não tinha levado o aparelho, pensando que não iria precisar, afinal de contas o prédio não era muito longe de onde morava, e ele não iria demorar muito. Tudo que conseguiu fazer foi ficar parado, esperando por socorro, mas ele não veio. Não tão depressa.
-SOCORRO!!- Abel gritou o mais alto que pode, mas ninguém o ouviu. Até que percebeu que havia um homem ali, parado bem na frente da porta do carona. – Por favor, me ajude! – Disse o garoto mais uma vez, quase perdendo a consciência. O homem não se mexeu, e Abel começou a ficar com raiva. Por que ele não estava lhe ajudando? Não via que ele estava perto de morrer?
-Vai ficar tudo bem. – Disse o Homem, com um rosto inexpressível. Ele estava todo de preto, e naquela parca iluminação mal dava para ver seu semblante. – Você não vai sobreviver, mas vai ficar tudo bem.
Tudo que o rapaz queria nesse momento era que estivesse bom, para poder bater naquele sujeito. Além de não lhe ajudar, ele ainda disse que tudo iria dar certo, mesmo que Abel morresse. Mas infelizmente o garoto não estava bom, e o ferimento não parava de sangrar. Aos poucos a consciência dele foi diminuindo, sentindo uma vontade imensa de dormir, até que tudo que o mantinha desperto era a raiva que estava sentindo, mas até isso não foi o suficiente e em questão de segundos a consciência dele já tinha apagado, e o garoto fechou os olhos, para nunca mais abri-los de novo.
0 comentários:
Postar um comentário